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As Janelas da Alma

12 de ago.
4 min de leitura

Apesar de algumas religiões verem na Astrologia uma espécie de culto pagão de

adoradores de estrelas, na verdade ela é uma prática, tal como a psicologia, que não

interfere na crença pessoal de cada um. Ao contrário, é na Bíblia que nós, astrólogos,

vamos buscar muitos exemplos e analogias para explicar a linguagem simbólica da

Astrologia.


A propósito, se a Astrologia fosse tão ofensiva a Deus como querem fazer crer alguns

setores religiosos, Ele não teria conduzido três astrólogos (*) ao local de nascimento de

Seu filho. Astrólogos, sim, que perguntaram: “Onde está o rei dos judeus que acaba de

nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.” (Mateus II, 1-2)

Eles trouxeram ouro, para simbolizar a realeza de Cristo; incenso, Sua divindade, e

mirra, Seu poder curador, regenerador de almas.


Talvez, esses ricos presentes tenham ajudado a Sagrada Família a fugir para o Egito,

quando Herodes mandou matar todos os bebês judeus do sexo masculino.

Para celebrar o nascimento do filho de Deus, as pessoas se preocupam em enfeitar a

casa, pintar, trocar cortinas, enfim, mudar o ambiente, renovar o ar, ou pelo menos,

fazer uma boa faxina na época do Natal.


Mas quantos se preocupam em enfeitar o rosto com um sorriso, trocar as críticas e as

palavras amargas por um elogio, espanar as ‘teias de aranha’ dos preconceitos, jogar

fora velhas mágoas e ressentimentos guardados no porão da memória?

Por que tanta gente fica triste e deprimida nessa época, por que tantos detestam as festas natalinas e prefeririam dormir e só acordar em janeiro, quando tudo já houvesse

terminado? Qual o motivo dessa tristeza, em lugar da alegria que as luzes de Natal

anunciam, e a ‘mídia’ parece esbanjar em suas mensagens?


Será porque essa data nos obriga a olhar além das aparências, a enxergar coisas que

tentamos não ver? Ou porque amolece nosso coração, insensível de tanto conviver com

o sofrimento, diariamente, ao vivo e em cores, próximo ou distante, nas guerras,

atentados, protestos, fome, violência, etc.?


Na verdade, nós nos sentimos vazios, talvez até um pouco culpados, pois sentimos que

deveríamos fazer alguma coisa para melhorar o mundo em que vivemos. Então,

tentamos colocar ordem em nosso pequeno mundo, a começar pelas nossas casas.

Mas melhorar o mundo não é alterar a forma, e sim o conteúdo. A mudança externa tem

que refletir a interna. Não apenas no Natal, mas todos os dias de nossas vidas,

deveríamos refletir, honestamente, sobre o que fizemos, ou deixamos de fazer para

melhorar a nós mesmos, e à sociedade em que vivemos, e nos comprometermos

seriamente com nosso crescimento; não só espiritual, mas também emocional e

intelectual, pois só poderemos mudar o mundo à nossa volta, se e quando cada um

conseguir mudar a si mesmo.


Giordano Bruno disse: “A alma humana possui janelas que ela pode fechar

hermeticamente.” A Luz bate nas janelas de todas as almas humanas, mas nós estamos

cegos para ela. Quando essas janelas se abrem, e deixamos a Luz entrar, a alma toda se

ilumina. Mas nós mantemos as janelas fechadas e não nos permitimos ver essa luz. Só

podemos imaginar o que existe lá fora, através de frestas, que são os raros momentos

em que nosso ser faz contato com o divino, quando nos emocionamos ouvindo uma

música, contemplando a natureza ou um sorriso de criança.


Quando a vontade humana abre a janela, a verdadeira Vida inunda a alma. Mas como o

ser humano é dotado de livre-arbítrio, nós é que temos que querer abrir nossas janelas.

Dizem que o Menino Deus nasceu numa caverna, num estábulo. Nos presépios de

antigamente, Jesus recém-nascido era bem pequenino, até desproporcional, em relação

às outras personagens, exatamente para simbolizar que o Cristo, a centelha do amor

divino, tem que nascer dentro da caverna do coração do homem.


Como todo herói verdadeiro, esse filho da Luz nasce no signo de Capricórnio – ocasião

do solstício de inverno no hemisfério norte – quando as trevas são mais densas, e a noite

é mais longa e mais escura.

João, o discípulo amado, assim escreveu: – “Tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada foi

feito. NEle havia vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandeceu nas trevas e

as trevas não a compreenderam.” (João I, 4-5)


Essas trevas são a nossa insensibilidade, nossos preconceitos, nossos ressentimentos,

que sufocam o divino em nós. Estamos muito acostumados a viver na escuridão…

Mas, vivenciar o espírito do Natal, é escancarar-se para a luz – é abrir as janelas da

alma!

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(*) Em Mt. II, 2, Bíblia Sagrada, Editora Ave Maria Ltda., SP, 1993, há um asterisco

após a palavra magos remetendo à nota de rodapé onde se lê:

Magos: a tradição popular diz que foram reis. Não o sabemos, porém. Deveriam ser

sábios, astrônomos ou astrólogos.


Nota da autora: Naquele tempo não existiam os termos astrólogo e astrônomo, criados

séculos mais tarde, para diferenciar aqueles que só observavam os céus (astrônomos),

daqueles que ousavam afirmar que os movimentos dos corpos celestes influenciavam a

vida humana (astrólogos), atitude que podia ser punida até com a morte.

 
 
 

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