Relacionamentos

Algumas pessoas pensam que só serão felizes se conseguirem encontrar sua ‘alma
gêmea’.
Os mais românticos não vão gostar muito, mas astrologicamente, existem milhares de
pessoas compatíveis conosco. A esperança de encontrar uma alma gêmea, revela uma
certa infantilidade, pois o que se pretende, na verdade, é encontrar alguém que seja um
mero reflexo de nós mesmos, um verdadeiro espelho, para que não seja necessário fazer
ajustes, ou ter que se adaptar a um modo diferente de ser. Também eliminaria do
relacionamento, o risco de rejeição ou de abandono por parte do ser amado. No entanto,
esquecemos que o espelho, ao refletir nossa imagem, mostra também nossas
imperfeições… Essa é exatamente a função mais importante dos relacionamentos em
nossas vidas: nos fazer enxergar nossos defeitos, para que possamos crescer,
amadurecer, e nos tornarmos melhores.
Se tudo o que fizéssemos fosse sempre uma unanimidade, se só recebêssemos aplausos, não mudaríamos nunca, não evoluiríamos como seres humanos; seriamos sempre como uma criança mimada que não quer ser contrariada. Só quando alguém diz a essa criança que ela está errada, que precisa deixar as outras crianças brincarem e aprender a dividir seus brinquedos, é que ela irá se esforçar para ser menos egoísta, porque senão, vai acabar brincando sozinha.
Acima de tudo, acredito que o amor é uma relação entre iguais. Pessoas que proíbem o
parceiro de ter vida própria, fazer as coisas de que gosta, e ainda pensam que ciúme é
prova de amor, demonstram insegurança. Ninguém pode ser tudo para alguém.
Ninguém pode preencher todos os espaços na vida de alguém. Claro que existe a fase da paixão, quando os amantes se bastam, quando não se quer dividir a pessoa amada com mais ninguém. Mas quando isso passa, quando a rotina se instala, e deixamos de ser
uma novidade para o outro, muitos relacionamentos fracassam, pois para viver um
relacionamento saudável, o importante é compartilhar experiências, e para isso,
devemos ter interesses próprios, nossas atividades, nosso trabalho, nossos amigos, e não ser apenas um prolongamento do outro. Dessa forma, continuaremos sendo
interessantes para o parceiro, teremos algo a acrescentar, informações e ideias para
trocar.
Pessoas que precisam ter alguém a seu lado para se valorizar, para exibir como um
troféu – muitas vezes sem se importar em permanecer ao lado de parceiros que as
agridem e humilham – parecem ter sérios problemas de autoestima. Muitos aceitam
parceiros que traem e fazem saber que traem, só para não ficarem sós. É claro que cada
caso é um caso; há ocasiões em que temos que admitir nossa parcela de culpa, pois a
traição do outro pode ser um silencioso pedido de socorro, pedindo por mais atenção,
mais afeto. Se houver um arrependimento autêntico, e se quem está perdoando não se
sentir lesado, o ato de perdoar, sincero, de coração, não só “da boca para fora”, pode até
fortalecer a relação.
Porém, quando é sempre o mesmo parceiro aquele que perdoa, aquele que tem que
engolir o orgulho, isso não é justo nem saudável. O próprio Cristo, quando veio à Terra,
pediu que amássemos ao próximo como a nós mesmos, pois se não amarmos
primeiramente a nós mesmos, não receberemos amor do outro, nem seremos
valorizados pelo outro. Teremos renunciado à nossa dignidade, de nossa alma, de nossa
divindade. Se alguém não estiver bem consigo mesmo, não poderá estar bem com
ninguém mais.
E então, quando a gente já tentou de tudo para preservar o amor, mas percebe que não
dá mais para viver ao lado de uma pessoa, que só estamos alimentando falsas
esperanças, tentando até justificar nosso sofrimento como um karma que é preciso
carregar, nos iludindo, como quem mantém vivo um doente desenganado à custa de
aparelhos, então chegou o momento desse relacionamento terminar.
O que não quer dizer, que não tenha sido verdadeiro, ou que não tenha valido a pena…



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