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Relacionamentos

6 de ago.
3 min de leitura

Algumas pessoas pensam que só serão felizes se conseguirem encontrar sua ‘alma

gêmea’.


Os mais românticos não vão gostar muito, mas astrologicamente, existem milhares de

pessoas compatíveis conosco. A esperança de encontrar uma alma gêmea, revela uma

certa infantilidade, pois o que se pretende, na verdade, é encontrar alguém que seja um

mero reflexo de nós mesmos, um verdadeiro espelho, para que não seja necessário fazer

ajustes, ou ter que se adaptar a um modo diferente de ser. Também eliminaria do

relacionamento, o risco de rejeição ou de abandono por parte do ser amado. No entanto,

esquecemos que o espelho, ao refletir nossa imagem, mostra também nossas

imperfeições… Essa é exatamente a função mais importante dos relacionamentos em

nossas vidas: nos fazer enxergar nossos defeitos, para que possamos crescer,

amadurecer, e nos tornarmos melhores.


Se tudo o que fizéssemos fosse sempre uma unanimidade, se só recebêssemos aplausos, não mudaríamos nunca, não evoluiríamos como seres humanos; seriamos sempre como uma criança mimada que não quer ser contrariada. Só quando alguém diz a essa criança que ela está errada, que precisa deixar as outras crianças brincarem e aprender a dividir seus brinquedos, é que ela irá se esforçar para ser menos egoísta, porque senão, vai acabar brincando sozinha.


Acima de tudo, acredito que o amor é uma relação entre iguais. Pessoas que proíbem o

parceiro de ter vida própria, fazer as coisas de que gosta, e ainda pensam que ciúme é

prova de amor, demonstram insegurança. Ninguém pode ser tudo para alguém.

Ninguém pode preencher todos os espaços na vida de alguém. Claro que existe a fase da paixão, quando os amantes se bastam, quando não se quer dividir a pessoa amada com mais ninguém. Mas quando isso passa, quando a rotina se instala, e deixamos de ser

uma novidade para o outro, muitos relacionamentos fracassam, pois para viver um

relacionamento saudável, o importante é compartilhar experiências, e para isso,

devemos ter interesses próprios, nossas atividades, nosso trabalho, nossos amigos, e não ser apenas um prolongamento do outro. Dessa forma, continuaremos sendo

interessantes para o parceiro, teremos algo a acrescentar, informações e ideias para

trocar.


Pessoas que precisam ter alguém a seu lado para se valorizar, para exibir como um

troféu – muitas vezes sem se importar em permanecer ao lado de parceiros que as

agridem e humilham – parecem ter sérios problemas de autoestima. Muitos aceitam

parceiros que traem e fazem saber que traem, só para não ficarem sós. É claro que cada

caso é um caso; há ocasiões em que temos que admitir nossa parcela de culpa, pois a

traição do outro pode ser um silencioso pedido de socorro, pedindo por mais atenção,

mais afeto. Se houver um arrependimento autêntico, e se quem está perdoando não se

sentir lesado, o ato de perdoar, sincero, de coração, não só “da boca para fora”, pode até

fortalecer a relação.


Porém, quando é sempre o mesmo parceiro aquele que perdoa, aquele que tem que

engolir o orgulho, isso não é justo nem saudável. O próprio Cristo, quando veio à Terra,


pediu que amássemos ao próximo como a nós mesmos, pois se não amarmos

primeiramente a nós mesmos, não receberemos amor do outro, nem seremos

valorizados pelo outro. Teremos renunciado à nossa dignidade, de nossa alma, de nossa

divindade. Se alguém não estiver bem consigo mesmo, não poderá estar bem com

ninguém mais.


E então, quando a gente já tentou de tudo para preservar o amor, mas percebe que não

dá mais para viver ao lado de uma pessoa, que só estamos alimentando falsas

esperanças, tentando até justificar nosso sofrimento como um karma que é preciso

carregar, nos iludindo, como quem mantém vivo um doente desenganado à custa de

aparelhos, então chegou o momento desse relacionamento terminar.


O que não quer dizer, que não tenha sido verdadeiro, ou que não tenha valido a pena…

 
 
 

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